sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
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ABRE OS OLHOS MORENA, VEM VER MEU BOI…

 

Texto: Alexandre Yuri

Foto: Dah Passos

…Olha como o nosso domingo foi iluminado. Nosso encontro foi abençoado pelo céu azulado de junho, que refletiu no couro bordado do Boi Pavulagem e fez brilhar a imagem de São João Batista, o grande homenageado do cortejo.

 

Nossa oferenda é colocar mais uma vez na rua o “Batalhão da Estrela de São João”, um sonho compartilhado que traduz o espírito coletivo da festa. E olha como brilharam os sorrisos desse batalhão.

 

Nossos tambores ressoaram e o Boi Pavulagem chamou Belém para dançar. Olha como a cidade aceitou o convite. Olha como a gente pode sim ampliar o conceito de festa junina, com a participação de crianças e idosos. Olha como a nossa festa pode ser inclusiva.

 

A Cidade Morena bailou ao som das nossas canções e de nossos mestres e mestras da cultura popular. Dona Onete, Verequete, Waldemar Henrique, Mestre Cardoso…

 

Cardoso recebeu homenagens especiais com a participação dos bois de Ourém. Olha como brilharam os olhos dos mestres. Eles reforçaram nosso elo com as matrizes tradicionais do boi bumbá e com o universo mágico apresentado pelo Mestre Cardoso, que um dia emprestou seu brilho paro nosso cortejo. Hoje Cardoso é saudade e inspiração.

 

A saudade também brilhou nos céus em forma de balões, na homenagem ao vaqueiro Serginho, que hoje também é estrela. O pai dele trouxe um brilho a mais para o cortejo. Olha como ainda é vivo o sorriso do Serginho, olha como são vivos os bordados do Mestre Nato, a poesia de Ruy Baldez. Olha como vivem os tambores de Nazareno Silva, a onça do Meio Quilo, a alfaia do Thiago, a barrica do Daniel. Olha como a arte eterniza.

 

No próximo domingo, dia 2 de julho, nossa quadra junina chega ao fim, mas nosso sonho está apenas começando. Vem ver como ele se renova. Vem ver quanta gente se une e se reúne ao redor desse boi. Vem ver como reluz a história que esse brinquedo conta. Uma história registrada em cada símbolo, em cada encontro, em cada despedida, em cada abraço, em cada estrela bordada no couro do boi azul. No próximo domingo, a gente vai pedir mais uma vez:

 

“Olha o boi”.

 

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