sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
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Foto: Dah Passos

Arrastão do Círio está volta à Praça do Carmo

As ruas da Cidade Velha vão receber de volta as cores e os sons do Pavulagem. O Arrastão do Círio reencontra o público em 2017 na Praça do Carmo depois de um ano longe do mais tradicional palco do encerramento do cortejo no mês de outubro. A notícia foi anunciada no último domingo (01/10) para a alegria dos integrantes do Batalhão da Estrela e do público que acompanha o Arraial nessa grande festa da cultura popular.

Mensagens na página do Pavulagem no Facebook não paravam de chegar. Os fãs comemoravam e já se programavam para receber o grupo no Carmo no dia 7 de outubro, além de agradecer à Rainha da Amazônia. “Meu Arrastão do Círio está vivo. Viva Nossa Senhora de Nazaré!”, comemorou Phillippe Sendas. “Viva a cultura popular, viva Nossa Senhora de Nazaré”, escreveu Márcia Saré.

Realizado desde o ano 2000, o Arrastão do Círio celebra as tradições populares do mês de outubro, usando elementos do imaginário cultural paraense como os brinquedos de miriti e o quase esquecido roc-roc. Há 18 anos, o cortejo colore a paisagem do Centro Histórico de Belém no segundo sábado de outubro e espera com a multidão que se aglomera nas ruas a chegada da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré da Romaria Fluvial para homenageá-la. Este ano, o Arrastão conta com o apoio cultural da Prefeitura de Belém do Banco da Amazônia.

Cuidado com a praça e com a produção de lixo
Em reuniões realizadas com os órgãos municipais, Pavulagem e Associação de Moradores da Cidade Velha têm dialogado sobre as medidas a serem adotadas para preservar a Praça do Carmo e o bairro do impacto que as atividades provocam. As principais reclamações são a venda desenfreada de bebidas, o acúmulo de lixo e o uso dos prédios e vias públicas como banheiro pelos brincantes.

A organização do cortejo solicitou e conseguiu a garantia de que haverá fiscalização do comércio, banheiros químicos serão instalados e reforçará as ações de educação do público. A associação “Movimento Amigos de Belém” também estará presente no Arrastão do Círio, mobilizando uma cooperativa de catadores de materiais recicláveis para o recolhimento do material produzido, além levar voluntários para atuarem nas ações educativas com os participantes.

“A presidente da Fumbel, Eva Franco, tem sido parceira nesse sentido ao articular os órgãos para que possamos fazer um cortejo sem causar tantos impactos negativos na cidade. Nossa preocupação é fazer uma festa bonita, levando alegria para as pessoas antes e depois do cortejo. Também contamos com o apoio do público para isso, para que ele cuide do seu lixo e tenha carinho pelo lugar em que está presente, respeitando as pessoas e a memória que existe ali. Isso vale não só para o centro Histórico, mas para nossa conduta como cidadãos também”, pontua Junior Soares, um dos organizadores do Arrastão.

Procissão das águas e o encontro nas ruas
Quando a procissão fluvial termina na escadinha da Estação das Docas e a peregrinação ganha a avenida para percorrer quilômetros de honrarias para a virgem, os sons e os olhares do Batalhão da Estrela têm um só destino: a berlinda. É a hora de realizar a homenagem tão ensaiada nos dias que antecedem o momento. O Batalhão toca, canta e reverencia Nossa Senhora entoando o hino do Círio, “Vós sois o lírio mimoso”, ao som de mazurca, um dos ritmos trabalhados pelo Pavulagem e que traz a influência dos festejos da Marujada de São Benedito, de Bragança (PA).

O Pavulagem reverencia mais do que o símbolo de devoção da fé católica no segundo sábado de outubro. O cortejo revigora o afeto escondido por tempos de intolerância e anuncia uma tradição viva, que o povo acolhe e vivencia, aproximando histórias e pessoas muito além dos credos. O Arrastão do Círio é o encontro dos amigos, das famílias, da energia do bem para festejar a cultura de quem vive na Amazônia e cresce cercado por imagens e ricas representações que inspiram a produção artística da região.

O simbolismo do Arrastão
O Arrastão do Círio homenageia o trabalho dos artesãos de Abaetetuba que povoam a quadra nazarena com a beleza dos brinquedos de miriti. No cortejo, dezenas de barquinhos que flutuam pelo arrastão, singrando por águas imaginárias com a barca de miriti “Rainha das Águas”. É o Círio colorido e festivo que transforma as ruas em uma nova romaria para celebrar a identidade de ser Belém, de viver no Pará e de festejar com o Pavulagem.

Na Praça do Carmo, o cortejo traz de volta também a Valsa dos Roc-Roc, um momento de revigorar uma tradição quase esquecida, a magia dos brinquedos coloridos e sonoros que têm a missão de chamar outros brinquedos. Feitos de papel, tinta colorida, imaginação e uma corda com cerol, eles são girados na chegada do arrastão na Praça. Os brincantes formam uma grande roda no local com a barca “Rainha das Águas” no centro e começam a girar o brinquedo, produzindo sons únicos, como se viessem da própria floresta.

Além das tradicionais toadas de boi e carimbós que integram o repertório junino dos arrastões do Pavulagem, o cortejo do Círio apresenta ritmos como a mazurca, o banguê e o rojão que embala os tradicionais cordões de pássaro da cultura paraense. É a oportunidade de mostrar para quem vem de fora um pouquinho das expressões artísticas produzidas no Pará.

// Serviço //

Arrastão do Círio 2017
Concentração: 9h na Praça dos Estivadores

Saída: O Arrastão só sai com a quando a imagem peregrina chega à escadinha e é homenageada pelo Batalhão da Estrela. Previsão de horário: 11h.
Trajeto: Boulevard Castilhos França – Av. Portugal – Complexo Feliz Lusitânia, Dr. Assis – Praça do Carmo.
Horário de encerramento das atividades na Praça: 15h30

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