segunda-feira, 23 de outubro de 2017
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Arrastão do círio: homenagem que reúne cultura popular e devoção

Assim que a Romaria Fluvial aporta na Escadinha do cais da Estação das Docas, trazendo a imagem peregrina de Nossa Senhora, tem início uma das tradicionais e importantes homenagens do círio.

Movidos pela fé, tambores rufam em louvores à padroeira da Amazônia e a cultura popular pede sua benção para continuar sua caminhada.

E assim, há 17 anos, o Arrastão do Círio segue com a importante missão de reverenciar Nazaré, Nazinha ou Nazica, como carinhosamente costumamos chamar, em uma celebração que leva devoção, cor e alegria pelas ruas do Centro Histórico de Belém.

Para Mario Valmont, que participa do cortejo desde 2005, o Arrastão do Círio também tem um significado importante além dos louvores e homenagens à Nossa Senhora. “O Arrastão também apresenta para esse mundo de turistas que aparecem nesta época em Belém, um pouco da nossa cultura, nossos ritmos, das nossas músicas e principalmente um pouco da alegria do povo paraense, que acolhe essas pessoas de diversas maneiras, inclusive com esta festa”, afirma ele.

Nas mãos, os brincantes levam dezenas de barcos em um cortejo guiado pela “Rainha das Águas”, barca que representa o principal ícone da brincadeira. Inserida no cortejo desde 2011, ela é uma representação lúdica do símbolo do cortejo fluvial de Nossa Senhora, de acordo com Júnior Soares, presidente do Instituto Arraial do Pavulagem. “A barca representa essa energia que sai das águas, vinda com os devotos que trazem a santa e transpusesse isso para o asfalto, com o Arrastão do Círio. Ela simboliza toda essa movimentação das águas, que junto com os outros barquinhos de miriti, fazem uma comitiva que representa de maneira lúdica o Círio Fluvial pelas ruas de Belém”, afirma ele.

A “Rainha das Águas” e sua comitiva de barquinhos fazemz também uma importante referência aos brinquedos populares feitos de miriti, tradicionais durante a quadra nazarena.

Concebidos pelo dom de encantaria dos artesãos de miriti, os brinquedos colorem a cena cultural do Círio. Eles ganham novas dimensões no Arrastão do Círio, mantendo viva esta tradição para antigas e novas gerações.

Assim, o cortejo vai ganhando as ruas do Centro Histórico. Percussionistas, dançarinos, pernas de pau e todos os integrantes que ajudam a compor o Batalhão da Estrela transformam esta homenagem em celebração popular com a ajuda dos brincantes que cantam e dançam ao som de mazurca, carimbó, toadas de boi e pássaro junino.

Durante o trajeto, o cortejo também é recebido com festa pelos trabalhadores e moradores das redondezas. Os moradores enfeitam suas casas com símbolos do próprio Arraial, como bem lembra Mario também. “As famílias se reúnem para ver o cortejo passar”, acrescenta ele.

No Mercado Ver-O-Peso e na Rua Doutor Assis, os brincantes são recebidos com o tradicional banho de ervas, que além de refrescar o calor, protege contra impurezas espirituais e atrai boas energias.

Ao chegar á Praça do Carmo, destino final do cortejo, os integrantes do Batalhão realizam a “valsa dos roque-roques”, um brinquedo sonoro feito de materiais recicláveis muito utilizado por vendedores e artesãos na época das festividades do círio, pois atrai atenção das crianças e anuncia a existência de outros brinquedos da época.

Coloridos e de vários tamanhos, os roque-roques reconfiguram o sentido do brinquedo sonoro na brincadeira, pois é uma maneira de afirmar que ali também existem vários outros brinquedos da cultura popular.

A valsa dos roque-roques executada na Praça do Carmo é acompanhada de uma imensa ciranda, que forma um espaço de experimentação do universo rítmico da cultura popular amazônica. Eles também reafirmam a relação com os sons da natureza e com as sonoridades produzidas pelo homem.

O Arrastão do Círio este ano tem apoio cultural da Prefeitura de Belém e Banco da Amazônia. O cortejo conta ainda com a parceria da Associação Movimento Amigos de Belém.

Fique atento aos horários

Data: 7 de outubro
Concentração: 9h na Praça dos Estivadores
Horário previsto de saída: assim que a santinha chegar da Romaria Fluvial >> previsão 11h
Destino: Praça do Carmo
Horário de encerramento das atividades na Praça: 15h30

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