sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
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Até breve, Estrela Azulada

Texto: Yorranna Oliveira

Foto: Dah Passos

Aqui bate a saudade dos sonhos bordados no couro do Boi Pavulagem. A saudade da Estrela Azulada que encantou nossos olhos no último domingo de Arrastão. Encantou como uma sina que aquece o coração e faz o amor pavuleiro seguir o boi aonde quer que ele vá. Não importa a distância, não importa o destino. Longe ou perto, o boi chama e a gente se enche de esperança, cultivando a promessa de ser pavulagem em qualquer lugar.

Ao lado desse boi, vivemos novos desafios e ousamos sonhar outra vez. Quando tudo parecia desmoronar, tememos que uma história de 30 anos, tecida com juras de amor e laços de livramento, chegasse ao fim. Mas as estrelas mais bonitas estavam iluminando o amor pelo boizinho e apontando o caminho para o céu azul do nosso São João. E nosso amor nos uniu mais uma vez. Ele fortaleceu o sentimento coletivo de trazer o boizinho para alegrar a festa, aquela que a gente já não consegue imaginar a vida sem. Então, nós celebramos cada conquista, resistindo e mostrando que o nosso sonho importa e é possível.

E o sonho continuou ainda mais vivo no último domingo. Estava pleno em cada abraço, em cada sorriso, em cada suor, em cada lágrima. Em cada olhar de criança que se fascina com os mais singelos motivos. Estava vivo na delicadeza dos gestos, na simplicidade dos atos, no legado do Boi Malhadinho com o Alexssandro trazendo o filho Kassio com seu pequeno boizinho. Dois tripas bailando no domingo de Arrastão.

O sonho estava vivo na cumplicidade do Baba e do menino Arthur, laçados em um abraço encantado, um abraço de amor e esperança em um futuro que vislumbra o próximo Tripa, ali no meio do Batalhão.

No último domingo de Arrastão do Pavulagem, a saudade já batia forte, soprando o vento do Norte que nos levou para terras distantes, para jornadas até o infinito para encontrar aqueles que vivem na eternidade. Lembramos das estrelas que já não brilham aqui no chão, mas iluminam o céu da nossa memória: o capitão Nazo, Mestre Nato, Mestre Cardoso, Daniel, Thiago, Serginho e o sonhador Ruy Baldez que teria o coração feliz como o nosso por viver toda a alegria de ver esse boi pelas ruas de Belém.

Dançamos, cantamos, bailamos com o sol e com a lua enfeitando o nosso Arrastão. Foi despedida e também renovação da energia que reúne a nossa gente em domingos de alegria e amor para celebrar a nossa cultura.

Nosso Batalhão estava tão formoso, todo enfeitado e alegre para guarnecer o Boi Azul, Boi Pavulagem que rodopiou, bailou, sorriu. O Boi do Mundo fez a cidade se alegrar e se encantar como nas histórias de sua lenda, banhando a rua com o olhar do afeto.

Cantamos e tocamos bem cedinho com a banda da Associação Musical de Santa Cruz do Arari e seus 80 músicos homenageando o Pavulagem e o Batalhão. Subimos nos mastros desejando que toda a sorte do amor prevaleça. O Sancari fez as saias rodopiarem com o carimbó de Onete, Verequete e muitos outros.  Honramos os mestres populares que são a nossa inspiração para cantar as histórias de tantas gerações.

Na Praça da República, recebemos os amigos e parceiros que fortalecem o nosso sonho.  A Roda Cantada apresentou o que sabe fazer de melhor: cativar sorrisos, cantos e bailados ao som dos mestres da nossa tradição. O grupo deixou ainda mais bonita a festa para o nosso Boi.

Teve o carimbó do Som de Pau Oco para aquecer a multidão de 30 mil pessoas. E mais e mais amigos chegaram perto para a nossa despedida. Nazaré Pereira, parceria de toda uma vida seguiu mestra, rainha fascinando a multidão. Veio a Marcella Martins cantar e festejar com a gente também. Allan Carvalho, parceiro de longa data, não poderia faltar nem “Biduim”, seu clássico com Cincinato Jr; e o Eudes Fraga passou também na rota das estrelas. Veio o Sancari para completar a festa e tocar para quem queria seguir dançando com o pé descalço no chão quente. Tudo registrado pela equipe da Úrsula Vidal e do Homero Flávio, documentando cada detalhe do que é o Arraial do Pavulagem, para levar a nossa história ao cinema, arte que faz mágica e transporta nossos sonhos pra telona.

Junho pode até ter encerrado seu ciclo no calendário dessa existência cheia de prazos e pontos finais. Mas ele vive dentro de cada um de nós, atravessando o tempo e transformando a despedida em recomeços, exatamente como o nosso sonho, que brilha como a estrela azulada.

Quando a dúvida aparecer novamente e os desafios seguirem implacáveis, vamos lembrar da nossa sina. Nosso sonho azul tem a bênção divina, é um presente de São João.

O Boi Pavulagem é o Boi do Mundo. Em 2018, ele está de volta e a gente vai jurar mais uma vez: “Vem, minha Estrela Azulada!”

 

 

 

 

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